DIÁRIO DE BORDO Oceania Nova Zelândia Nova Zelândia – Belas paisagens do outro lado do mundo

Nova Zelândia – Belas paisagens do outro lado do mundo E-mail
Sáb, 30 de Abril de 2011 05:05
23/02 a 06/03/2011

Rumo ao outro lado do mundo! Despedimo-nos da África e pegamos o voo interminável em direção ao Oriente. Aliás, nos dirigíamos a um dos extremos geográficos da viagem: a Nova Zelândia seria nosso ponto mais ao Leste e mais ao Sul. Nosso destino era Auckland, a maior cidade no Norte do país. Já na chegada, o aeroporto deixou claro o tipo de país que teríamos pela frente: organização, limpeza, informação – tudo ao seu dispor. Mas não de graça. Toda essa estrutura cobra seu preço fazendo com que viajar pela Nova Zelândia seja tão ou mais caro do que pela Europa. 

A cidade de Auckland não nos pareceu muito atrativa turisticamente, apesar das qualidades anteriores. O que vimos muito foi uma garotada aproveitando a aparentemente agitada vida noturna. Ficamos somente por duas noites, aproveitando a internet do hotel para organizar as próximas etapas. Pela televisão, acompanhamos os desdobramentos do caos criado na cidade de Christchurch, fortemente abalada por um terremoto. Esse terremoto acontecera exatamente no dia da nossa saída da Cidade do Cabo. Paramos para fazer umas contas e ficamos pensativos pelo fato de que, se não tivesse ocorrido o atraso na saída da África do Sul em função do envio do Pezão, nós estaríamos na rota de Christchurch bem na época do terremoto. A graça extraída disso tudo ficou por conta da Du. Já na primeira noite em Auckland estávamos dormindo, quando eu me virei na cama... "Terremoto! Terremoto!", gritava ela, pálida. Não pude evitar a risada, obviamente depois de constatar que não era terremoto.  

Aproveitamos a estada por lá para ir tirar, novamente contrariados, o espantoso visto de trânsito australiano que os brasileiros precisam para fazer somente uma conexão. Era o nosso caso. 
 
A briga em Auckland foi, de fato, a diferença do fuso horário. De uma hora para outra nosso dia virou noite. Estávamos batendo o maior papo no quarto do hotel, sem nenhum sono, quando olhamos para o relógio para constatar que eram quase quatro da manhã. Para acordar, um suplício. Nunca tinha experimentado uma sensação de fuso tão forte. Não tínhamos nem fome durante o dia. Isso até achar um restaurante brasileiro! Inacreditável! O atendente, muito boa gente, arranhava um bom português, apesar de ser iraniano. Olhamos incrédulos para a imensa bacia de feijão preto na nossa frente. O restaurante brasileiro era disparado o mais cheio da praça de alimentação. O feijão não tinha o nosso tempero, mas deu para matar um pouco as saudades. 
 
A idéia era alugarmos um carro para conhecer o litoral Norte. Quando fui buscar o brinquedo – perto do Pezão o pequeno carro parecia de brinquedo – a pergunta de sempre: “Quer seguro estendido?”. A minha resposta de sempre: “Não precisa”. Não lembro quantas vezes aluguei carros na vida, mas sei de quantas vezes bati: nenhuma. Então há muito não peço seguro para carros alugados. A exceção foi na Escócia, quando dirigi pela primeira vez um carro com o volante do lado direito. Dessa vez fiz questão de pedir seguro, por motivos óbvios, mas novamente entreguei o carro escocês sem um arranhão novo. Estávamos novamente do lado esquerdo da estrada, mas isso já não era novidade. 
 
Saímos em direção à Península de Coromandel, no Noroeste do país. Estradas excelentes, GPS na mão, e dia ensolarado. Nosso primeiro destino era a própria cidade de Coromandel. O caminho foi bem bonito, através de uma pequena e sinuosa estrada que margeava uma baía chamada de “Firth of Thames”. É um caminho realmente especial, o que novamente animou nossa fotógrafa. O único sofrimento ficava ainda por conta do fuso horário. Eu dirigia meio anestesiado. A Du também não conseguia se empolgar muito no carona. Sabíamos que tínhamos que ter paciência. 
 
Achamos uma pousada muito agradável em Coromandel e passamos uma boa noite. Saímos no dia seguinte para as partes mais ermas da região, e foi aí que a estrada deu uma piorada: no lugar do asfalto, cascalho, ao invés de acostamento, valas de mais de meio metro. Para piorar, essas valas estavam maiores do que o normal, porque a região tinha sofrido com um recente aguaceiro, o que fazia com que a estrada ficasse ainda mais estreita. Aí, não deu outra: bati com o carro. Aquela velha soma de fatores: essa estrada, com o sono do fuso, mais a direção do lado “errado”... Em uma curva apertada fui surpreendido por um carro no outro sentido. Cheguei para o lado, sem muita noção de espaço e, como se estivesse no Pezão, deixei o carro entrar no início da vala, contando que ele sairia com um pequeno movimento no volante. Cansei de fazer assim na África. Porém, não estávamos com o Pezão. O pequeno carro entrou na vala, mas não saiu. Derrapou com a roda dianteira e seguiu em frente, usando a vala como trilho. O problema é que a vala aumentou de tamanho, enterrando de vez as duas rodas do lado esquerdo e jogando a lateral do carro no barranco. O cara do carro no sentido oposto até parou, mas não foi culpa dele. Estávamos os dois devagar. Assim que saímos do carro, pintou uma mulher com uma perua e uma imensa corda. Ela gentilmente nos ajudou a tirar o nosso quase-carro da vala e seguimos viagem, já tentando nos acostumar com a idéia do prejuízo. 
 
Visitamos algumas praias e paramos para dormir em Whitianga, mais ao Leste, e retornamos no dia seguinte a Auckland, de onde pegaríamos nosso voo para ilha Sul, mais precisamente para a cidade de Queenstown, situada na mais baixa latitude de toda a viagem. Antes, uma óbvia passagem pelo restaurante brasileiro para mais um feijãozinho! 
 
Queenstown é especial do início ao fim. Trata-se de uma pequena cidade, localizada na parte Sudoeste da ilha Sul, onde a baixa latitude garante o clima bastante frio, mesmo no verão. O potencial congelante da região no inverno ficou claro pelas fotos que vimos da cidade, completamente coberta de neve, e pelas diversas áreas de esqui nas redondezas. Acima de tudo, parecia que estávamos no paraíso dos esportes radicais. Inúmeras lojas, coladas umas às outras, oferecendo de tudo: pára-quedismo, bungee jump, down hill de bicicletas, caminhadas, rapel e mais. A maior novidade para nós era um tal de Jet Boat. Os loucos locais pilotam um barco movido à hidrojato, entupido de turistas, em um rio mais estreito do que as estradas da ilha Norte. Novamente nos pareceu imperdível. Lá fomos nós! 
 
Já na chegada ao pequeno cais percebemos onde estávamos nos metendo: aguardávamos calmamente nossa vez, quando apareceu o tal jet-ski gigante urrando na nossa frente. De repente, o cara fez um pra-lá-e-pra-cá radical e mandou um trezentos e sessenta graus, rodando no próprio eixo, para delírio do pessoal de dentro do barco. Parecia que estávamos na fila para a montanha-russa. 
 
Chegou nossa vez! Entramos no barco, olhando pro piloto como quem implora ao Divino. “Espero que esse cara saiba o que está fazendo”, suspirou a Du. Ele explicou como seria a brincadeira e mandou nos segurarmos bem, principalmente quando ele rodasse o dedo indicador no ar, o que significava que viria um trezentos e sessenta graus na história. 
 
O piloto saiu arrancando, já para mostrar a que veio. Fez um vai-e-vem meio de ensaio e já rodou o indicador a primeira vez. Foi o melhor deles, o primeiro. A sorte é que a barra que tínhamos para segurar era aquecida pelo motor. O barco perde totalmente o rumo e roda como se fosse um skate. Nada mal. 
 
Seguimos em direção à parte estreita do rio, e aí não dá muito para explicar, somente vendo a filmagem. O piloto acelerou rio adentro tirando diversos finos das rochas das margens. O mais interessante é como ele brinca com a inércia que o barco possui para fazer as curvas: ele faz a curva muito antes, o que dá a impressão de que o barco vai direto para a pedra. É como nos carros de rali na neve. Fantástico! Nos divertimos muito, gritando horrores (principalmente a Du, que adora ficar de palhaçada nessas horas). Obviamente, lembrávamos sempre que estávamos na Nova Zelândia, e não na Colômbia. 
 
Na metade da brincadeira começou o único vilão da história: o frio. O vento forte e gelado começou a incomodar de uma forma absurda. Batendo na testa e no nariz, ele parecia quebrar meu rosto ao meio. Era como se tivessem colocado um ventilador dentro do freezer e você ficasse ali, curtindo a brisa. “Mais alguns minutos dessa parada e vou perder meu nariz”, brinquei com a Du. Voltamos pelo mesmo caminho, comigo apelando e colocando as mãos no rosto. Começou a virar uma espécie de tortura abaixo de zero. Na hora em que ele passou pelo cais de entrada e fez a mesma gracinha de antes, rodando na frente do pessoal calouro que estava esperando a vez, pensei: “Ufa, vai acabar. Tá de bom tamanho”. Mas não é que ele passou direto e continuou mais uma vez?! Quase pedi pra descer. Mas, pra minha sorte, ele voltou logo e nos desembarcou. Que friaca! A cena do dia foi eu e a Du, no banheiro, com as caras enfiadas no secador de mãos que solta ar quente. Mas valeu muito à pena. Voltamos ainda meio tremendo para o hotel e pegamos uns filmes para ver no DVD do quarto. Foi muito bom relaxar na boa companhia da Du e do aquecedor. 
 
Na manhã seguinte partimos para conhecer um dos lugares mais bonitos do mundo: Milford Sound. Cada vez mais saudosos do Pezão, embarcamos em uma excursão de ônibus para a região dos fiordes. O caminho é deslumbrante, realmente um dos cenários mais bonitos da viagem. O tempo não ajudou na ida, o que na verdade era de se esperar: as estatísticas dos dias com chuva por lá beiram os 80%. Mesmo assim essa estrada, a que mais consome os cofres públicos neozelandeses, impressiona quando se aproxima do litoral. Montanhas extremamente escarpadas demonstram a força da terra, ao mesmo tempo em que o verde quase onipresente revela semelhante força da natureza, que consegue trazer vida a terreno tão irregular.
Ao final da estrada entramos em um barco que nos levou através dos fiordes até o oceano. Uma vista impecável, principalmente porque o sol resolveu dar as caras. Um dos pontos impressionantes é o vento. O corredor formado pelas paredes rochosas canaliza os deslocamentos de ar e cria um vento fortíssimo. Ao mesmo tempo, as águas das chuvas formam inúmeras cachoeiras por entre os cortes das montanhas. Eis então que essa atuação conjunta gerou algo bem interessante: uma cachoeira morro acima. O vento, ao encontrar uma parede frontal, não tem opção senão subir, carregando consigo toda a água que tentava descer para o mar. Vale ver a foto.
Passamos quase uma semana na agradável Queenstown, aproveitando as caminhadas pelo Centro e a fantástica vista do Lago Wakatipu. Aproveitamos também para alugar novamente um carro e conhecer as cidades ao redor. Um lugar especial, sem dúvida. Destaque para a pequena e antiga Arrowtown.
Era hora de irmos embora. Foram pouco mais de dez dias na Nova Zelândia, mas que valeram muito. Partiríamos para novas emoções. Nosso destino era o Sudeste Asiático, com todo o seu potencial exótico. E o melhor: faríamos em excelente companhia. Alexandre, meu irmão, que durante toda a viagem foi um dos maiores entusiastas, estava chegando com a Dani. Mais do que somente nos acompanhar, eles foram um apoio “em terra”, nos dando dicas e olhando por nós a cada passo. Após mais de um ano de expedição, mal podíamos esperar para encontrá-los e começar a compartilhar esse dia-a-dia espetacular.




 
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