DIÁRIO DE BORDO América do Sul Uruguai Voltando pra casa

Voltando pra casa E-mail
Qua, 02 de Novembro de 2011 21:07


22/05 a 09/07/2011
Era hora de voltarmos para casa. Olhei para o aeroporto de Déli e toda a viagem passou por minha mente. Desde os primeiros quilômetros no Atacama até ali. Quanta aventura, quanta coisa diferente. Como aprendemos. Ver o fim da viagem, assim tão perto, condensada em um bilhete de avião, me fez sentir medo. Medo de ser sufocado pelas saudades dessa época. Olhei pra Du, com a Dani e meu irmão ao fundo, e percebi que não havia razão para temer. Lembranças serão lembranças. E tudo o que eu precisava estava ali. Nem passado, nem futuro. O presente é tudo o que temos. 
 
Acordei! Era hora de focar na volta. Ainda tínhamos que ir à Cidade do Cabo despachar o Pezão para a Argentina. Trabalho garantido. Depois, desembaraçar nosso amigo para poder rodar em terras portenhas. Será que ainda restaria alguma emoção nessa reta final? Era melhor não ter perguntado isso... 
Antes da África do Sul, uma rápida passada por Munique, na Alemanha. Nosso objetivo tinha outro objetivo, mas alongamos um pouco a estada e aproveitamos para conhecer a cidade. Aliás, maior choque cultural não podíamos vivenciar: sair de Déli e ir para Munique é praticamente viajar entre diferentes dimensões. Munique é limpa, organizada, funcional, civilizada. Ou seja, o oposto das cidades da Índia. Nem por isso melhor. Não é esse o mérito. E isso aprendemos nessa viagem. A civilização trás consigo inúmeras qualidades, mas outras tantas são muito mais fartas em países mais simples. Essa é uma das belezas da nossa povoada Terra. 
 
Após uma rápida semana, nos despedimos demoradamente de Alexandre e Dani, que partiam para uma viagem de carro por alguns países europeus, e seguimos para o nosso voo em direção à Cidade do Cabo. Foi um voo noturno bem tranquilo. Emperrou um pouco na imigração, quando tivemos que iniciar um estressante processo de compra online de uma passagem de saída da África do Sul, sob risco de nos colocarem de volta no avião para a Alemanha. Porém, enquanto fazíamos isso, os nossos passaportes lotados de carimbos e algumas boas histórias da viagem amoleceram o pessoal da imigração que acabou nos liberando. Na saída da área de desembarque tivemos a feliz recepção da sempre sorridente Sandra. Estávamos de novo na nossa casa da sul-africana. 
 
Ficamos por lá somente uma semana. Foi o tempo de resolver tudo do Pezão e embarcá-lo para a travessia do Atlântico. A emoção do reencontro com nosso companheiro de estrada me deu novamente a certeza de que a união daquelas peças metálicas criou mais do que um simples objeto.  
 
Voamos para Buenos Aires e, em seguida, para Bariloche. Nossa idéia era passar uns dez dias pela belíssima região de lagos enquanto o Pezão viajava para a capital. Não seria uma espera nada difícil, pois estávamos próximos do início da temporada de inverno e toda a programação prometia ser muito interessante. 
 
Ficamos uma semana em Bariloche, aproveitando a comida e as fotos do fim da tarde no lago Nahuel Huapi. Mas queríamos mais, então alugamos um carro para ir às cidades mais ao norte e depois, quem sabe, cruzar para o lado chileno. Não sabíamos ainda, mas não seria assim tão fácil. 
 
Saímos de Bariloche animados com o que veríamos. Seguimos bem devagar no nosso pequeno carro alugado. Nosso primeiro destino era Villa la Angostura, setenta quilômetros ao norte. Chegamos à nossa pousada, à beira do mesmo Nahuel Huapi, na sexta-feira dia 3 de junho. O dia estava nublado, com previsão de chuvas. A pousada era fantástica. Tudo perfeito. 
 
Acordamos no sábado sentindo alguns tremores, mas não demos muita importância. Pequenos tremores não eram novidade por aquelas bandas. Fomos almoçar na cidade e depois nos dirigimos ao lago para conhecê-lo mais de perto e tirar umas fotos. No lago, o que nos chamou atenção foi o céu: ele estava totalmente carregado, principalmente na direção sul, Bariloche. A quantidade de clarões e trovões era incrível, mas a chuva não parecia cair. Enquanto tirávamos fotos, boquiabertos com as águas cristalinas do lago, algo começou a cair do céu. Primeiro achamos que era neve, mas logo vimos que se tratavam de pequenas e leves pedras, do tamanho de uma moeda. Subimos de volta à pousada, quando então ficamos sabendo que os trovões não tinham origem em nuvens carregadas, e sim nas atividades do vulcão Puyehue, que fica no Chile, a somente quarenta quilômetros na direção oeste. E que as pequenas pedras que caíam do céu eram, na verdade, cinzas solidificadas pelo contato com o vapor d’água da atmosfera. O vulcão entrara em fortíssima atividade! 
 
Ficamos buscando notícias pela internet e observando o lago enquanto os pedriscos começavam a tomar conta da superfície. Estava claro de que o pior estava ao sul, na direção de Bariloche. Vimos, então, as primeiras fotos de Bariloche coberta de cinzas. Era catastrófico! 
À noite o cenário piorou para a cidade de Villa la Angostura. Fomos dormir como se uma tempestade tropical acontecesse do lado de fora. Porém, no lugar dos trovões, eram explosões do vulcão. E, ao invés de gotas de água, eram as pequenas pedras que caíam do céu. 
Acordamos por volta das oito da manhã sem conseguir ver o cenário externo, pois ainda estava muito escuro. Até aí, tudo normal, pois estava realmente amanhecendo por volta das oito e meia nessa época. Porém, quase nove e meia da manhã e as luzes continuavam acesas. Olhando o lago ao longe, dava para ver que algo sério acontecera. Às dez e meia da manhã, ainda um pouco escuro, saímos para rodar pela pousada com o objetivo de ver e registrar o acontecimento. 
 
O que vimos nos deixou chocados. Pelo menos dez centímetros de cinzas transformaram todo o cenário. Era como se tivesse nevado. Porém, o branco tinha dado lugar aos tons de cinza claro. Os carros estavam completamente cobertos e as piscinas, sem água, tinham um palmo de cinzas no seu interior. Os pedriscos agora era bem pequenos, como se fossem areia. Descemos para o lago e vimos o pior. As águas cristalinas haviam se transformado em uma lama marrom e espessa. Era possível caminhar sobre os primeiros centímetros do lago. Enquanto andávamos pela margem, a areia continuava a cair, nos obrigando a vestir os capuzes dos casacos. Acima, não havia um único espaço de céu à vista. Era o fim do mundo. 
 
Ficamos aguardando na pousada, pois a cidade estava em alerta vermelho e as autoridades aconselham a população a sair somente em extrema necessidade. A energia externa caiu e estávamos na base de geradores. As cinzas continuavam a descer, porém menos intensamente. Os trovões também tinham diminuído de freqüência, o que trazia a esperança de que o pior já tinha passado. Porém, não seria bem assim. Pouco depois das duas da tarde de domingo o gerente da pousada me chamou e disse que a tendência era de piora. Autoridades locais haviam informado à mídia que os ventos não seriam favoráveis nas próximas horas, e que quem tivesse a oportunidade de sair da cidade e alcançar lugar mais seguro assim deveria fazer. 
 
Não pensamos duas vezes em começar a desmobilização. Juntamos nossas coisas e partimos correndo para o norte, onde teoricamente estaria mais seguro. A opção de descer para Bariloche não passava pela nossa cabeça. Por mais que a situação ao norte não fosse previsível, nos enterrarmos mais ao sul parecia uma loucura. “Temos que ir em direção a Buenos Aires”, combinamos. 
 
O caminho foi impressionante. A estrada estava lisa, pois a máquina tinha acabado de desobstruí-la (aliás, muito eficientes por sinal. Acostumados com neve). Mas do asfalto nada se via. Era como se estivéssemos em um rali. Em pouco mais de uma hora, estávamos a salvo! O céu apareceu novamente. Mais azul impossível! Comemoramos o sucesso da nossa “estratégia” e seguimos viagem. Nessa hora fomos premiados com um dos visuais mais bonitos de toda a viagem. Toda mesmo! Sempre invejei essas fotos na qual um lago imenso funciona como um espelho perfeito. Pois bem, tínhamos finalmente achado esse cenário. Nos divertimos fazendo fotos e seguimos em frente. 
Ao pegar novamente a estrada, perplexidade. Uma nuvem imensa cortava o céu ao meio. Ao norte, céu azul. Ao sul, uma mistura de marrom e vermelho. A fúria do vulcão nos seguia. 
 
Chegamos a San Martín de Los Andes já de noite, mas pudemos ver o quanto a cidade era bonita. No céu, a nuvem de poeira atraía todos os olhares. Todo mundo estava assustado, olhando para cima como se a nave mãe dos extraterrestres tivesse escolhido aquela pequena cidade para pousar, mas o pessoal da pousada estava confiante de que nada aconteceria. À noite, comemoramos a publicação de uma matéria com as fotos da Du na primeira página do portal de notícias da Globo, o G1. Fomos dormir tranquilos, pois as previsões meteorológicas informavam que os ventos soprariam para o leste, ainda com um pouco de inclinação ao sul. Estávamos seguros mais ao norte. Estávamos errados. 
A cidade amanheceu totalmente cinza! O vento mudara de direção durante a noite e, exatamente às cinco da manhã, começaram a cair as primeiras cinzas. Conversamos com o descrente gerente e resolvemos, novamente, fugir para o norte. Já não sabíamos onde estava pior, mas ainda acreditávamos que deveríamos, na dúvida, manter a direção de Buenos Aires. Então pensamos em ir até a capital da província, Neuquén, que ficava a nordeste de onde estávamos. 
 
Fomos primeiro à locadora de veículos para tentar devolver o carro e seguir de ônibus. A locadora estava fechada. Toda a cidade parecia cenário de guerra. Fila nos postos e nos mercados. Olhei para a Du e falei “vamos, depressa, dirigir até Neuquén!”. Os primeiros quilômetros estavam bem complicados. As cinzas transformaram-se em uma poeira fina como talco. Era impossível se aproximar muito do carro da frente, por causa da esteira de fumaça. Quando outro cruzava na direção oposta, tínhamos praticamente que parar. Nada se via, como se tivéssemos mergulhado o carro em um lago de leite. 
 
Quando chegamos a Junin de los Andes encontramos uma bifurcação: à esquerda iríamos mais ao norte, na direção de Zapala. À direita, teríamos que seguir para sudeste, passando novamente para a direção norte somente depois de algumas dezenas de quilômetros. Pareceu-nos óbvio ir para a esquerda e para o norte, tendo em vista que o vulcão ficava ao sul. Porém, o céu à direita parecia mais claro. “E agora?!”. Tínhamos que tomar a decisão. 
 
Novamente optamos por ir o mais ao norte possível. Se essa foi a decisão mais acertada, nunca saberemos. Seguimos o mais rápido que a estrada permitia. Quanto mais andávamos, mais escuro ficava. Parecia que estávamos nos aproximando do vulcão, não nos afastando. O cenário foi piorando, piorando, até ficar completamente de noite, mesmo sendo pouco depois do meio-dia. Os poucos carros que se aventuravam pela estrada avançavam a trinta quilômetros por hora e com o alerta ligado. A chuva de cinzas era impressionante. O farol alto mais atrapalhava do que ajudava. Estávamos fotografando e filmando, mas nessa hora o clima ficou tenso e não conseguimos mais pensar em máquinas. O medo do pequeno carro pifar me atormentava. Até quando ele poderia “respirar” aquelas cinzas? Novamente vieram as saudades do Pezão. Tínhamos que sair daquela nuvem o mais rápido possível. 
 
Era angustiante andar daquele jeito sem saber o tamanho do que estávamos atravessando. Parecia não ter fim. Cada veículo que vinha do outro lado transformava nossa direção em um inferno. Por cinco eternos segundos, nada se via. Eu reduzia ao máximo a velocidade, chegando a parar, mas a preocupação com os carros de trás me fazia tentar andar para frente pelo menos um pouco. A Du tentava ajudar no que podia, mas não havia muito o que fazer e ela começou a achar que ia ter um piripaque, de tão nervosa que estava. 
 
Depois de mais de duas horas nessa batalha, o céu começou, finalmente!, a clarear. Estávamos saindo da nuvem! Podíamos novamente ver a estrada e as montanhas ao redor, pelo menos as mais próximas. Quanto mais andávamos, menos cinzas víamos no chão. Estávamos salvos! Comemoramos, apesar da celebração ter sido meio acanhada. Já não tínhamos tanta certeza de que a coisa não poderia piorar novamente à frente. 
 
Chegamos ao centro de Zapala quase quatro da tarde. Apesar de ter menos cinzas do que as outras, a cidade estava bem impactada. Postos de gasolina com filas, o comércio basicamente fechado e poucas pessoas pelas ruas. Ainda tínhamos que viajar por mais de duas horas até Neuquén, então precisávamos achar um almoço bem rápido e seguir viagem. Com a ajuda do GPS encontramos um mercado e compramos os famosos pão e queijo, figurinhas fáceis dos nossos dias de interior da África. Depois, seguimos até Neuquén com cautela. As cinzas só cessaram pouco quilômetros antes do nosso destino. Na chegada ao hotel as pessoas, ao olharem nosso carro com visual “terra arrasada”, nos paravam para perguntar de onde vínhamos. 
 
À noite, as primeiras cinzas começavam a cair do céu. Que desespero! Não sabíamos mais se a distância que estávamos do vulcão, próxima dos quatrocentos quilômetros em linha reta, era suficiente para evitar as cinzas. Para onde estaria indo o monstro que cruzamos no meio do dia? 
 
Estava claro: tínhamos que nos apressar em continuar viagem. Compramos passagens de ônibus com destino a Buenos Aires para o dia seguinte e combinamos em devolver o carro pela manhã. Acordamos com um céu acinzentado e toda a cidade, novamente!, coberta de cinzas. Realmente, quando a natureza determina, não tem como você evitar. Ficamos surpresos quando o pessoal do G1 entrou em contato com a Du pedindo uma entrevista. Ela falou ao telefone e poucos minutos depois a entrevista, com mais fotos e um vídeo, estava novamente na primeira página. Ficamos curtindo a divulgação das fotos e recebendo mais contatos do Brasil. Valeu inclusive uma entrevista minha ao vivo pela Rádio Bandeirantes, de São Paulo. 
 
Saímos às pressas para a rodoviária e, desde então, o vulcão nos deu a merecida trégua. 
 
Seguimos em um ônibus super confortável em direção a Buenos Aires. A viagem noturna, combinada com a poltrona que virava praticamente uma cama, fez com que dormíssemos pesado até aportarmos no nosso destino. 
 
Ficamos em Buenos Aires por mais de duas semanas. A combinação da nossa chegada prematura com o atraso da papelada do Pezão que vinha a África do Sul, ambas por causa do vulcão, fez com que ficássemos muito mais do que o programado. Aproveitamos para descansar no hotel, fazer amizade com o pessoal dessa nossa quase casa, e andar pela bonita cidade sem pressa. Mas a hora era de ir para casa, e estávamos loucos para voltar para a estrada e rumar norte, em direção ao Brasil. 
 
A retirada do Pezão foi até tranqüila. Eu estava preparado para o pior. Mas a fiscal da alfândega também rendeu-se à sedução das inúmeras bandeiras coladas na janela lateral e pouco quis ver dentro do carro. Estávamos livres! Estávamos novamente na estrada. 
 
Saímos em direção ao ferry que nos levaria ao nosso (realmente) último país, o Uruguai. O frio tinha dado uma apertada, então não nos propomos a passear muito. Até que curtimos um passeio à tarde e boas refeições na cidade uruguaia de Colonia del Sacramento, onde dormimos uma noite, mas não pudemos aproveitar muito Punta del Leste, nossa segunda parada. Em Punta, a chuva fez o trabalho de tornar qualquer saída do hotel impraticável. 
 
Acordamos cedo para cumprir nossos últimos quilômetros em terras estrangeiras. Estávamos, finalmente, pertinho do Brasil! Estávamos, enfim, voltando pra casa. O frio e a chuva eram de rachar, mas nada tirava nossa atenção do GPS e da indicação da cidade brasileira do Chuí. E ainda tínhamos algo mágico nos esperando lá... 
 
Paramos, mais ansiosos do que nunca, na imigração uruguaia. Um carimbinho de nada e pronto! Nem precisamos mostrar o carro. Pouco minutos depois estávamos nos últimos metros antes do Brasil. No meio da chuva, entre uma passada e outra do limpador do pára-brisa, surgiu uma pick-up prateada. Ela estava exatamente onde tínhamos combinado que estaria. Um pouco mais perto e uma bandeira do Brasil presa no Santo Antônio nos fez ter certeza de que tínhamos chegado em casa: meus pais tinham ido nos buscar na fronteira do nosso país! 
 
Foi emocionante! Abraçamo-nos um bom tempo, ainda incrédulos de que tínhamos chegado. Estávamos vivos! E felizes. Tinham sido exatos quinhentos e vinte e três dias desde a saída do Rio de Janeiro. Ainda tínhamos tatuada na lembrança a sensação dos abraços de despedida que recebemos no final da escolta no dia da saída, à beira da Via Dutra. Como foi bom sair para viajar! Como foi bom o ano e meio que eu e a Du passamos juntos. E como era bom voltar pra casa. 
 
Toda a programação de fotos e filmagens embaixo da placa “Bem-vindo ao Brasil” teve que ser cancelada por causa da chuva e do frio. Era hora do almoço, então fomos voando para o restaurante para comer o nosso primeiro feijão realmente brasileiro. Depois voltamos ao hotel e a tarde pareceu não ter fim. Eram inúmeras as histórias do Brasil e de fora, depois de tanto tempo. 
 
Desse dia em diante a vida começou a tomar seu novo rumo. Percebíamos o fim da aventura pelas placas e pelas conversas em português. Seguimos em direção ao norte em uma animada rotina diária, sempre seguindo ou sendo seguidos pela “Poderosa”, como meu pai chama sua pick-up. O caminho de casa contou ainda com emocionantes visitas à Campinas, onde pudemos rever o Douglas, Daia e Nick, além de receber alguns amigos para um churrasco que contou com a presença do meu sogro Carlos e de sua Beth. Visitamos Guapimirim, com minha sogra, Sandra, e D. Elvira, onde relembramos risonhos a Jararacas’ Trip, e por último Pendotiba, na casa dos meus pais. 
 
Em nove de julho de 2011, 536 dias depois da nossa saída, novamente escoltados por Alexandre e Dani, chegamos em casa. Obviamente, tínhamos combinado um churrasco para comemorar o reencontro com nossos amigos mais próximos. Reencontramos também nosso querido apartamento. E foi olhando o Cristo Redentor, de braços abertos, que tive a visão dos dias que antecederam nossa saída. Todas aquelas caixas espalhadas pelo chão, todos os equipamentos novinhos em folha, roupas, mochilas. Era o mundo se abrindo à nossa frente. E, novamente, como em um filme, tudo se repetiu em minha mente: as estradas, os hotéis, os acampamentos, os povos, as risadas, a Du. Minha musa. Olhei pra ela e percebi, novamente, o quanto tenho sorte. Como ela foi guerreira. Como ela é guerreira. A melancolia do término da aventura foi rapidamente substituída pela empolgação de toda uma vida que teríamos pela frente. E das outras aventuras que certamente virão.








 
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